quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Até sempre! Até um dia!



Hei-de voltar

hei-de voltar porque partir implica um regresso
porque ir implica um vir
porque faz parte de mim regressar às palavras e nelas procurar conforto
Hei-de voltar
hei-de voltar e deitar-me no divã
hei-de voltar para vos escutar
e não hei-de, certamente, deixar de vos ouvir
que é como quem diz 'ler'
que é como quem diz 'deliciar-me com as vossas palavras'
Sei que hei-de voltar
Mas sei também que agora urge a vontade de partir
sinto nos lábios o sabor delicioso do silêncio
sinto nas mãos a gana do analfabetismo
do não escrever e do não querer saber
do não saber escrever e do não me preocupar
de não entrar em pânico com esta falta de palavras
de não me entristecer com as palavras trocadas
com os nomes alterados
com as letras alteradas por espaços
com esta nossa forma de comunicar
que nem sempre é o mesmo que falar
e que tão facilmente é substituído apenas pelo olhar
Por isso é com esta certeza que vou
sabendo que hei-de voltar
sabendo que assim vou mais leve
sabendo que assim é sem pressões
é sem o ter que
é voltar quando eu sentir no corpo
que chegou a altura certa
de voltar a deixar as palavras tomarem lugar!

Um beijo,
Sandra

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

E se eu pudesse apenas...




... chegar ao pé de ti e dar-te uma dentada!






terça-feira, 13 de outubro de 2009

Estou e não estou


Estou aqui e não estou
tenho vindo sem que fizesse a minha presença notar
tenho me lembrado mas as palavras andam esquecidas
e embora queira
e embora precise
e embora me faça falta
continuo a estar sem sem estar
mas nunca deixando de Ser!

Estou aqui e não estou
tenho vindo sem que fizesse a minha presença notar
mas hei-de sempre voltar!

Fotografia: I was falling High by Martin Stranka
(All rights reserved)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Dói-me a pele...


Dói-me a pele.
Sinto que tenho os nervos demasiado à flor da pele e por isso dói-me a pele.
Sinto as dores nos braços pousados sobre a secretária, na ponta dos dedos que deixaram de há muito sentir para apenas soletrarem letras num teclado que de tanto usado já perdeu o contorno das suas teclas, que emite um som mais abafado mas que mesmo assim continua a escrever... continua a deixar-se ser manipulado, 'dedado' para ser mais exacta!
Dói-me a pele.
E os cotovelos sentem a dor que se infiltra nos ossos como se de canos se tratassem
E sinto que em cada inspiração a expiração que se segue é feita a custo, é feita porque é mesmo preciso e quase nunca porque é o que se quer.
Dói-me a pele.
E a dor é excruciante.
...

e depois a dor passa com um simples sorriso que nos chega pelo computador...
e depois alguém diz-nos "Gostei de estar com vocês" e sente-se o carinho a substituir a dor.
E parto para fim-de-semana com um cansaço enorme mas com um calor delicioso no peito!


Fotografia: Teardrop Skin by Nuno Pires
(All Rights reserved)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

10ª Festa do Cinema Francês


Este mês de Outubro, a Festa do Cinema Francês regressa para a sua 10ª edição. A Secção Principal contará com 20 longas-metragens em antestreia nacional, a secção Primeiros Filmes Grandes Obras com 10 filmes, e a secção Césars da França com mais 10 obras. Haverá ainda lugar para uma homenaGem à realizadora Agnès Varda, uma programação especial na FNAC e RTP2 (que inclui os filmes “Pas Sur La Bouche” de Alain Resnais, “La Reine Margot” de Patrice Chéreau, “Persepolis” de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud e “L’Amant”, de Jean Jacques-Annaud), e ainda o concerto de Jane Birkin no dia 8 de Outubro no CCB e de Moriarty dia 9 no Instituto Franco-Português.

in Cinerama

mais informações e programa aqui: Festa do Cinema Francês

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Onde comer em São Tomé? No Pirata - 7ª Arte !!






E por falar em comida :)
E voltando a São Tomé ...

Embora seja uma mocinha que não é muito prendada e que nem sabe cozinhar muito bem (e nem o quer fazer muito he he he) se há coisa que esta mocinha gosta é de comer.
Comida, petiscos, petiscos, comida... venha muita e a menina não se faz de rogada!
Sou o que o povo chama de 'boa boca' e sou-o com muito orgulho (e muitos quilos a comprová-lo também!).

Antes de partirmos para São Tomé a médica avisou logo: atenção ao que come. Tudo muito bem cozinhado. Não se ponha a comer coisas estranhas. Nunca fruta. e outras coisas que tais...

Medo! Pânico! Horror!

A perspectiva de fome era mais do que muita e pelo sim pelo não fui acompanhada de umas bolachinhas não fosse eu morrer à fome (sim, levei pouquissíma roupa, apenas uns chinelos e umas sandálias e para espanto de meio mundo apenas um biquíni mas levei comigo 03 pacotes de bolachas de chocolate! Ahhhhh pois é!!!).

As perspectivas comprovaram-se quando chegámos... digamos que almoçámos num local onde a comida era de facto boa mas onde tinha que se fechar os olhos a tudo o resto.
Comecei a temer pela minha vida e a perceber que era coisa para levar o PAC (Plano Alimentar Controlado) muito mais a sério do que eu própria pretendia.

Mas eis que ao segundo dia e que nem um oásis no meio do deserto nos aparece a salvação.
Ali estava ele, de esplanada virada para o mar, com um aspecto do mais simpático possível e com todo um staff super simpático.
Ali estava ele, todo ele de braços abertos à nossa espera e nós que nem náufragos corremos em sua direcção como se a nossa salvação dele dependesse (o que eu cheguei a crer que sim!):
o Pirata!

Restaurante perto do Hotel Pestana, a uns cinco minutos a pé, com uma vista espectacular e com todo um rol de coisas deliciosas para comer!

Quem for a São Tomé não deixe de lá ir e de experimentar a espetada de peixe, ou a feijoada de búzios (nhammmm nhammmm), ou o marisco, ou a carne ou mesmo as omeletes!! Ou seja tudo!
Tudo deliciosamente preparado e servido com uma simpatia sem fim!

Sabemos que os donos ficaram muito tristes com a nossa partida e de certeza que o local perdeu já a sua graça! Não somos ingénuos, sabemos que o brilho do Pirata era dado por nós he he Mas de qualquer maneira sei que os guardei bem fundo no meu coração e que juntos desfrutámos bem da companhia, da simpatia, da vista e acima de tudo da comida!!!

Sim, porque embora a menina não seja muito dada a cozinhar posso assegurar-vos que para comer não há pai! ;)


Fotografia: Fotografias tiradas aos manjares do Pirata! Digam lá que não deixam água na boca?? ;)

Dados do restaurante:
Pirata - 7ª Arte
Lounge Beach
Hugo Viegas/Patrícia Albino
Fixo: +239227821

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Gratinado de Peixe com legumes!!! (Ahhhh pois é! Um post no meu blog com nome de comida he he he!!!)

Quem me conhece sabe que a menina não é propriamente barra na cozinha (e quem não me conhece não quer saber por isso vamos manter-nos pelos conhecidos!!)!
Em contrapartida o mais que tudo da menina (e não, não me estou a referir ao cão como é óbvio!) cozinha bem que se desunha!
O mal em haver um que cozinha bem e que gosta e o outro que acha que lavar a loiça já exige um enorme esforço de coordenação é que acaba sempre por ser um a fazer e o outro a deliciar-se com a comidinha que aparece misteriosamente em cima da mesa :)

Claro que como não há bem que sempre dure a menina já levou com umas dicas de que "ah e tal eu também gosto de só comer" e antes que a coisa desse em divórcio litigioso (para discutir quem fica com o cão! Já estou a ver: "Não! Ficas tu!" e o outro "Não quero, o cão é teu!") decidi meter as mãos à obra!

Fui ao livro de receitas da amiga (receitas simples, do dia-a-dia e com fotografias espectaculares a ilustrar os passos todos) e lá escolhi uma refeição saudável para a janta.

Feita a lista fui às compras e as primeiras dificuldades foram estas:
O que raio são grelos (e será que eu gosto de grelos??) e com o quê é que se parece um 'molho bechamel'?
Olhos bem abertos e atenção ao rubro e lá os consegui encontrar.
Chegada a casa tinha um molho enorme de grelos que na receita não explicavam como se metiam na panela para cozer.. inteiros? com os caules? vai tudo lá para dentro?
Na falta de informação disponível inventei e cortei os caules e depois meti para dentro da panela com as batatas (outra grande questão... era tudo junto ou separado??) e bumba, deixei o lume fazer o seu trabalho.
A autora do blog tinha-me dito "tira fotos" e durante a feitura da coisa eu lembrei-me... mas minha amiga... eu só tenho duas mãos... entre desfiar peixe, cortar pimento aos quadrados e ralar cenoura achas mesmo que dava tempo????
Depois de muito suar as estupinas lá consegui fazer tudo e o gajinho chega mesmo antes de eu meter a paparoca no forno. Só lhe disse "Olha bem!! Está com bom aspecto não está?? Então delicia-te já porque eu não sei como é que isto vai sair do forno!"...

Bem... como vos dizer isto? Para alguém que sempre que tenta fazer uma omelete acaba por fazer ovos mexidos... estava MESMO BOM!!! :)
Ah pois é!!! Afinal a autora do blog tinha razão: Até eu consigo fazer as receitas que ela lá mete ;)

Vá! Eu consegui e vocês??? Toca a tentar :P

terça-feira, 29 de setembro de 2009

E se ao menos....

... o meu colega conseguisse falar sem emitir som



... ou então conseguisse não falar de todo!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Podia dar-me para pior

A Direcção Geral de Saúde mandou-me um sms:

Com sintomas de gripe fique em casa e ligue 808 24 24 24 ou contacte o seu médico. Reforce as medidas de higiene. Evite contagiar outros. "

à qual só me apetece responder:

Eu estou bem obrigada e essa saudinha como vai??

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Interregno



"Eu nem sequer gosto de escrever,

Acontece-me às vezes estar tão desesperado que me refugio no papel como quem se esconde para chorar.
E o mais estranho é arrancar da minha angústia palavras de profunda reconciliação com a vida."

Eugénio de Andrade in Rosto Precário, 1979

E eu por vezes até gosto e outras nem consigo...
E procuro no teu colo o refúgio e procuro no meu silêncio o exílio e encontro nada disto em lugar nenhum. E em vez das lágrimas que seriam um alívio encontro palavras endurecidas, gestos inexplicáveis, palavras desconhecidas em pessoas que julgávamos conhecer, sentimentos novos em pessoas que julgávamos gostar e por vezes o desconsolo, e por vezes a incompreensão, e por vezes apenas uma pequena decepção. Pequena porque a vida já não dá para mais.
E o estranho é pensar que as palavras me confortam e o que me entristece é que por vezes magoam.
E o mais estranho é ter tudo isto em mim, é arrancar as palavras e os sentidos, por vezes até gestos, por vezes até os órgãos e arrancá-los e atirá-los ao mar, atirá-los ao rio, jogá-los fora só para não mais jogar com eles.
E o estranho é que mesmo assim consigo reconciliar-me com a vida.
E eu que nem sequer gosto de escrever.
Quer dizer... por vezes gosto.
Mas há vezes que nem consigo!



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Simpatia

Sempre de sorriso nos lábios


Com o sorriso no olhar


Com a vida em constante crescimento



A melhor recordação que guardo comigo é sem dúvida a da simpatia dos São Tomenses!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

São Tomé


Voltei!

Voltei cheia de cor e de sabores novos, com os sorrisos guardados, com as experiências ainda a marcar o ritmo "léve, léve" de São Tomé!
Dos São Tomenses trago a simpatia e as perguntas infindáveis.
De São Tomé trago um tempo que tem um ritmo diferente mas que me deixou com saudades do meu ritmo, dos meus sorrisos, e dos nossos sabores.

Ficou a vontade de ajudar mas sem perceber ainda se realmente precisam dela!

Por vezes "léve, léve" é apenas uma outra forma de dizer "ser-se feliz!"...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

É só um momentinho sim???




Vou só ali a São Tomé e venho já ;)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Assustadoramente simples!




Por vezes quero-te tanto que nem preciso de te ter perto para te ter em mim!





Fotografia: Two hearts by Nilgün Kara
(All rights reserved)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Narciso




Sempre se despedia quando chegava a altura de mudar.
Despedia-se dos locais e das paisagens, dos caminhos trilhados, dos trilhos desbravados e guardava esses momentos de despedida como memórias do passado.
Despedia-se dos locais, das coisas e das acções... mas nunca das pessoas.
Despedia-se do riacho onde amiúde saciava a sede (mas sempre de olhos fechados! Não que receasse apaixonar-se pelo seu reflexo como se julga que diz o mito, mas porque não queria correr o risco de se reencontrar!), despedia-se do sino da igreja que fora substituído por um imóvel altifalante de barulho estridente e metalizado. Guardava na memória as horas que passara à espera que fosse o sino a dar as horas, mesmo que apenas embalado pelo vento.
Despedia-se do café onde vira as horas passar, não das pessoas... nunca das pessoas, mas da mesa onde se sentava (sempre a mesma, que o Homem é um animal de hábitos e há forças contra as quais é escusado lutar!), da cadeira que ocupava e que lhe suportava o peso quando até para ele era peso a mais para aguentar.
Despedia-se do riso das crianças e das suas brincadeiras (mas nunca das crianças!) que pareciam ficar loucas quando tocava para o intervalo. Despedia-se do cheiro do pão com manteiga e do leite com chocolate que era devorado no intervalo de jogos desenhados a giz no chão (o giz que habilmente surripiavam nas contas da Professora).
Despedia-se das pedras da calçada que em tempos idos foram calcadas por homens suados do calor dos dias e que tantas vezes tinham por ele sido calcorreadas.
Despedia-se para poder continuar a andar por caminhos errantes que nunca sentiu serem os errados.
Em cada novo lugar tornava-se aprendiz de um novo ofício e aluno atento dos novos hábitos a adoptar, dos novos risos a escutar, dos novos sinos a soar.
Soube desde sempre que era nesta errância que se encontrava o seu constante despertar.
Nunca foi uma questão de se redescobrir mas sempre a intenção de se reinventar.
E por cada riacho que passava parava sempre para se refrescar.
Sempre de olhos fechados...
Afinal o Homem é um animal de hábitos e há forças contra as quais não vale mesmo a pena lutar!


Imagem: Narciso d'amore intermedio by Nuvola
(All Rights reserved)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Parcas Palavras



Sou de parcas palavras
das faladas, das confrontadas
as palavras das respostas às perguntas difíceis,
as palavras que estão à defensiva
as palavras que elevam a auto-estima
Sou de parcas palavras
e sou assim no dia-a-dia
sem meias-verdades ou meias-mentiras
sem embelezar e sem poesia
Palavras pretas no papel branco
palavras que se elevam no meio
palavras que marcam o fim
Sou de parcas palavras
e nem sempre falo as mais correctas
nem sempre falo as certas
e arrependo-me amiúde do que ficou por falar no final
arrependo-me das palavras que disse mal
e das que foram mal ditas
das que vieram sem contexto
e das que ficaram escritas
das palavras que passaram do pensamento
e que num sopro transformaram-se em gente
transformaram-se em actos
transformaram-se em vida
Sou de parcas palavras
e por vezes sinto-me uma miúda
que procura as palavras certas
e que se limita a escutar
que se limita a querer inventar
as palavras que mais ninguém possa escutar
os sentidos que mais ninguém consegue compreender
Sou de parcas palavras
e por vezes gostava de não ter que falar
e por vezes gostava que apenas o meu olhar
vos fizesse fazer o que mil palavras não conseguiram
que parem e comecem a Escutar!


Fotografia: Hope by Martin Stranka
(All Rights reserved)

Há dias em que não vale mesmo a pena....




Tentámos!
E até íamos cheios de boa vontade. Ele cansadito e eu com a neurita mas íamos.

Sair do trabalho a correr, passear o cão nas calmas (há que não apressar a criatura no seu melhor passeio do dia) tomar banho a correr, inventar qualquer coisa para comer e bumbas... pé no acelerador chegar mesmo em cima da hora e lá fomos nós em direcção ao King para ver a Valsa com Bashir.
Depois de um café bebido à velocidade da luz lá entrámos na sala e ....

.... e passados 15 minutos lá saímos nós da sala!

"Lamentamos mas não vai haver sessão! O ar condicionado rebentou. Dirijam-se por favor às bilheteiras para receberem o dinheiro do bilhete!"

Eu por mim ficava... tinha o meu leque!

Só posso dizer que este filme está mesmo difícil de ver...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Há coisas do diabo....

Há coisas que nos atacam de repente.
Estamos muito bem e de repente BUM! É uma bomba.
Coisas banais, de todos os dias, que todos sabem...

blogues que parecem existir para nos lembrar das frases que gostaríamos de ter sido a nós a escrever, das aventuras que gostaríamos de ter tido e dos livros que gostaríamos de ter lido... devagar! :)

Cheguei à conclusão que nunca li nada de Mia Couto e senti-me extremamente burra... como é possível que nunca tenha comprado nenhum livro, pedido emprestado, lido???

Se calhar em vez da mala (linda, diga-se de passagem) que me ofereci atempadamente pelos anos deveria era ter comprado um livro...

Como é que é possível???? ....

O sal da Língua



"Escuta, escuta: tenho ainda


uma coisa a dizer.

Não é importante, eu sei, não vai

salvar o mundo, não mudará

a vida de ninguém - mas quem

é hoje capaz de salvar o mundo

ou apenas mudar o sentido

da vida de alguém?

Escuta-me, não te demoro.

É coisa pouca, como a chuvinha

que vem vindo devagar.

São três, quatro palavras, pouco

mais. Palavras que te quero confiar,

para que não se extinga o seu lume,

o seu lume breve.

Palavras que muito amei,

que talvez ame ainda.

Elas são a casa, o sal da língua."


Eugénio de Andrade

segunda-feira, 20 de julho de 2009

...


...
venham as palavras, os espaços e os silêncios
venham as mãos, os braços e os dedos
venham os abraços... os apertados
venham os beijos... os sentidos
venham os sorrisos e esses dentes destemidos
venham os punhos fechados e os olhos serrados
venha a coragem de mudar o dia
venha a serenidade de aproveitar até uma despedida
venham sempre... nunca deixem de vir
Sintam sempre... nunca deixem de sentir
e quando se sentirem a amargurar
quando se sentirem a mudar
venham e juntos iremos lutar
Mas venham sempre e nunca deixem de vir
por muito que mude nunca deixarei de vos esperar!


Fotografia: Friends by Nuno Ramos
(All Rights reserved)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Estou...






... cansada!
Mas tão cansada que vocês nem imaginam...











Quem poderia recusar?




Se gostaria?

Gostaria pois!
Quem não gostaria?
Quem poderia negar?
Quem seria louco a esse ponto?
Obviamente que gostaria
e não conheço ninguém que desse uma resposta diferente
Obviamente que toda a gente é única
e que eu não conheço toda a gente
e que do particular não se pode nunca extrair o universal
mas lógicas à parte
Quem o poderia recusar?
Obviamente que todos haveriam de gostar
e eu que nem sou de modas tenho que admitir
que iria adorar.
Se gostaria?
Obviamente que gostaria!
O que há, aliás, para não gostar?

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Ou então é mesmo a Inveja!



O dinheiro não é estupidificante
mas sem dúvida consegue fazer com as pessoas tenham atitudes estúpidas!



Fotografia: Money Money by Meppol
(All rights reserved)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Era uma vez...


Começa-se a querer aos poucos
sem se dar por isso
de mansinho
Começa sem nos darmos conta que começou
sem pensar sequer que é o início
sem perceber que já nos abarcou
E de repente estamos já em alto mar
Sentimo-nos à deriva
e tudo parece uma lição de vida
Queremos tudo absorver
ao máximo tudo aproveitar
e desta vez, sem medos, tudo abraçar!
Pode-se culpar a Primavera tardia
que desta vez trouxe mais do que alergias
pode-se até culpar a distracção
Mas a verdade encontra-se escondida até do coração.
E se formos bem a ver
não interessam os motivos e os caminhos que os fizeram encontrar
o que interessa é que começou sem se perceber
e agora há que ao máximo tudo aproveitar!

Fototgrafia: Three breath III by Huseyin Turk
(All Rights reserved)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Twitter


Não sei muito bem o que é!
Nunca escrevi em nenhum, nem tenho conta em lado nenhum e agora que penso nisso nem sei sequer se é preciso ter conta ou não...
Mas pela sua descrição ouso dizer que mais uns posts assim e o meu blog transforma-se num Twitter!!!


PS: Tenho é que me conter mais que só neste foram 255 caracteres!!!! Mania de escrever muito que eu tenho!


terça-feira, 7 de julho de 2009

Estou seriamente a considerar....



... em vez de tirar uma pós-graduação em Direito do Trabalho
tirar mesmo o Curso de Direito....


Só naquela...


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Perder conta à fantasia




Sinto que me perdi
algures no percurso não vi mais por onde ia
perdi os rastos dos meus passos
perdi conta aos casos e aos acasos
perdi conta à fantasia
Sinto que até de mim me esqueci
até de dar amor aos amores
de acariciar os corpos e os seus suores
de devolver o prazer que senti
de sentir realmente o que fingi
Sinto que algures fugi
fugi de ti e de mim
fugi por ter medo de ficar
fugi porque não conseguia acreditar
que também eu conseguia ser feliz!


Fotografia: Dominique by Scott Nichol
(All Rights reserved)

Descobri agora...




...porque é que não tenho uma única fotografia em que realmente goste de me ver!

Simplesmente não gosto de me ver!
Fantástico como às vezes a resposta está mesmo à nossa frente!






Preciso de...

Arranjar rapidamente um hobbie sob o risco de ainda acabar
a) louca
b) estúpida
c) velha

Sugestões aceitam-se!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

E pelos vistos não fui a única...

Ah pois é... realmente e pelos vistos ontem não fui a única a não ter dormido como deve ser!
O nosso Ministro Manuel Pinho no debate sobre o Estado da Nação decidiu deixar as palavras de lado e fazer um jogo de mímica com a bancada do PCP e o resultado foi este!!

E eu a pensar que só eu tinha acordado virada do avesso hoje!!!

Chiça!!!



Haja paciência... ou noites bem dormidas!



Vou para cama ainda cedinho depois da roupa estar passada e arrumada.
Sensação de vitória!
Consegui combater a inércia e a noite não foi completamente desperdiçada (se bem que passar a roupa não seja a minha noção de aproveitá-la mas o que tem de ser feito mais vale a pena fazê-lo!).
Vou para a cama contente com as minhas novas almofadas!
E fico a ler umas quantas páginas do meu livro. Decido ser uma menina consciente e fecho o livro e apago a luz.
Adormeço que é uma maravilha!
Umas duas horas depois o meu cão não pára quieto! "Faz a caminha", coça-se, lambe-se (urghhhh) e leva com um berro "Requy pára já com isso! Deite-se JÁ!" (não me perguntem o porquê da terceira pessoa... mas quando o trato por Você parece que ele percebe que é a sério! Ou então é o Já!).
Deita-se e cala-se!
Sorrio a pensar que tenho um cão inteligente visto que passados segundos de se deitar levanta-se e vai até ao hall de entrada perseguir o próprio rabo para depois voltar em bicos de patas para o quarto!
Depois disso?
Adormeço... acordo... adormeço... acordo... adormeço.. acordo...
Resultado?
Acordo cansada! Estafada! E sem paciência nenhuma!
Para alguém que está a tentar reduzir drasticamente nos cafés esta não foi, definitivamente, uma boa noite!


Fotografia: Raça-de-cão que nunca mais se comporta como um cão da sua idade!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Pina Bausch


"A coreógrafa alemã Pina Bausch morreu hoje aos 68 anos, noticiou a France 24".

in Público
a ler também no JL

O que só mostra que a Morte vem sempre fora de tempo... ou cedo ou tarde demais! Neste caso definitivamente veio cedo demais!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Se fosse assim tão fácil!



Anda
Dá-me a mão
e vamo-nos pôr a caminho
Anda
Vamos comprar um mapa
e com ele descobrir o mundo
Anda
não vamos levar máquina
e vamos fingir que no 2 também cabe o 1
Anda
só porque me apetece que seja contigo!
Anda e não se fala mais nisso!



Fotografia: Friends by Nuno Ramos
(All Rights reserved)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Voltei e não voltei...



Estou e não estou
voltei e não voltei
já há uns dias
ou talvez não
Voltei directa para uma pilha de trabalho e lá fui eu de armas e bagagens para um workshop
Ouvi falar muito em Momentum em achievements e em noise!
Sim... sem dúvida noise a mais para quem só queria acabar de ler o seu livrinho (e que ficou a umas poucas páginas).
Voltei e não voltei
Mas com a certeza de que a Inspiração ficou ainda por parte incerta
com a certeza, por enquanto, de não querer voltar.
Digo-lhe em sussurro que sem ela nada sou
que sem ela nada escrevo
Grito para quem quiser ouvir que me continuam a faltar as palavras
Parece-me ouvir a sua resposta
parece-me ouvi-la a rir-se
ainda não percebi se de mim se para mim
Vou juntando letra a letra o que ela me quer dizer
Parece dizer-me
"continua a ser feliz e não te importes com o que se diz"
respondo que me chamam de preguiçosa
que me tomam já como ausente
que já se vão esquecendo de mim
Ela continua a sorrir
e diz-me para a seguir
Sigo-lhe no sorriso
e mantenho-me a sorrir
Voltei e não voltei
e pergunto-me se cheguei a partir!


Fotografia: Summer time by Lance Ramoth
(All Rights reserved)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

As merecidas férias


Vou
vou sabendo que levo comigo a vontade de aproveitar
a vontade de os olhos fechar
a vontade de não ficar aqui
a vontade de fugir

Vou
Vou sabendo que me vai fazer bem
sabendo que me faz falta
sabendo que é a necessidade de partir que mais alto fala

Vou
vou e levo comigo o peso mais leve de carregar
as memórias que quero guardar
apenas o que quero aproveitar

Vou mas prometo levar comigo a vontade de regressar!


Fotografia: Ophelia II by Zhang Jingna
(All rights reserved)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Constatações




Título de um post num blog:


"Há pessoas que nos invejam as coisas boas"

Faz todo o sentido!
Eu pessoalmente não me imagino a invejar as coisas más!
Manias!





Conclusões interessantes






Chego agora à conclusão que há imensos namoros modernos!
Mesmo muito à frente!
Vanguardistas quase que diria.
Namoros Twitter: Relações Com 140 caracteres!
(Obviamente não trocados no mesmo dia! Que isso é um bocado antiquado!)





sexta-feira, 22 de maio de 2009

I'm here!


Conversámos como há muito não o fazíamos. Tinha saudades das nossas conversas. Saudades das private jokes, dos olhares de soslaio. Saudades de esta capacidade que ambos possuímos de sofrer na pele a pele do outro.
Não... não me enganei... não é de sentir a sua dor, é mesmo de
sentir a sua pele, de nos sentirmos dentro dos sapatos do outro, de estarmos por dentro, de olharmos através dos seus olhos.
Conversámos como há muito não o fazíamos. E se não o fizemos mais foi porque o tempo não o deixou, a vida não o deixou, as pessoas não o deixaram. Ambos sabemos que foram as pessoas e as circunstâncias...
Conversámos como há muito não o fazíamos e disseste-me o que há muito esperava que me dissesses. O tempo mais uma vez a tomar para si o papel principal, a querer ser o protagonista. Ele decidiu o quando quando vocês já tinham decidido o como.
Conversámos como há muito não o fazíamos... e ainda bem que o fizemos.
Tu precisavas de quem te ouvisse.
Eu precisava de te voltar a ouvir.


Fotografia: friends by Mejjad
(All rights reserved)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Cansa-me esta ânsia...



Cansa-me a espera dos momentos inadiáveis

a fluidez dos momentos que me fogem
Cansa-me o ter as mãos cheias de nada
e nos braços as marcas dos abraços que ainda me doem
Cansa-me a dor das alegrias passadas
e o eterno passar das marcas
Cansam-me os olhares de soslaio
e ao mesmo tempo quero-os em mim centrados
Cansa-me a vida e a morte
e o desejar a todos mais sorte
Cansam-me os cafés e as pessoas
e a repetição eterna das horas
Cansam-me os relógios e os ócios
e por vezes só me apetece mesmo fechar os olhos
Cansa-me este perpétuo cansaço
e só anseio pelo teu regaço
Anseio pela vida plenamente vivida
pela tristeza transformada em alegria
Anseio pelas paredes que caem
e por campos verdes que à minha frente se abrem
Anseio pelo respirar profundo
por sair do fundo
Anseio pelas palavras
por novas estradas
e por novos caminhos
Anseio por uma nova poesia
por uma nova escrita
por novas ideologias
Anseio por ti e por mim
por tudo o que nunca terá fim
Anseio pela ânsia de ansiar
por uma humanidade que há-de vingar
por alguém que possa compreender
Cansa-me esta ânsia que me assola
mas é este o cansaço que me consola
e por isso deixo-me ficar assim...


Fotografia: Dream about falling down by bucz
(All rights reserved)



Esta é uma repetição de um texto meu já publicado em Setembro de 2008.
As palavras continuam a fugir-me e sinto-me incapaz de deixar as palavras virem até mim.
Por vezes não são apenas as coisas e as pessoas que não nos chegam... por vezes somos nós que as afastamos, que impedimos a sua aproximação.
Não querendo parecer convencida, não querendo roçar o pedantismo, tenho que admitir que gosto imenso deste texto. Posso dizer que é com orgulho que digo que é meu, que me pertence, que fui eu quem o escrevi, que foi de mim que veio, de dentro de mim! Há textos assim...
E como há um cansaço que me assola, como há a dúvida iminente, como não consigo encontrar respostas para as perguntas que teimam em não sair da minha cabeça e como este cansaço me consola decidi re-editar este post!
Perdoem-me a repetição.
Perdoem-me a falta de novas palavras.
perdoem-me a ausência.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

E por vezes consegue ser tudo



"A memória em si não é nada. Não é bonita nem feia, nem útil nem inútil. Ia a dizer que era o que se quiser, mas nem isso. É uma maneira de dar sentido ao que se vive. É uma coisa que fazemos. Em nome do que trazemos na alma, e por causa do amor, faz sentido fazê-la o melhor que podemos. Agora há alguém que seja capaz de me explicar porque é que eu não sou capaz de me lembrar da cara do meu Amor? A memória é uma coisa que não lembra ao diabo."

in Miguel Esteves Cardoso, "A Aventura da Memória"


Fotografia: don't by Marcin Janocha
(All rights reserved)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Ou isso ou são mesmo saudades!



Deve ser isto o efeito placebo
porque sei que estás a levantar voo
estou já desejosa que voltes a aterrar...


Fotografia: succ. by galia
(All rights reserved)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Só isso...




Não tenho muito a pedir
é um desejo até bastante fácil de contemplar
vem assim de mansinho
Agarra-me
e depois deixa-te estar...



Fotografia: Three breath IV by Solak11
(All rights reserved)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Procura-se



Procura-se

As palavras mortas e as vivas
as palavras feias e as bonitas
palavras incompletas
palavras separadas por ífens
palavras à completas e infinitas

Procura-se

As palavras seguidas de outras
as palavras tristes e as risonhas
palavras que me façam sonhar
e que vos façam querer adivinhar
o que me faz vibrar

Procura-se

As palavras que formam textos
as palavras que formam um contexto
e que assim vos façam sorrir
e se for preciso até chorar

Procura-se

As palavras que me fazem querer continuar

Procura-se

... não deixem de procurar!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Quando eu for grande


"Quando eu for grande..." é uma frase comum entre as crianças.
O Grande sendo sinónimo de adulto, de responsável, de poder, de poder ser o que se quiser, de poder quebrar as regras porque as fizemos.
Quando era 'pequena' também eu queria ser grande! Queria ser mais.
Queria ser Algo mais do que eu. E se Grande é o antónimo de Pequena a mim a frase servia-me como uma luva!
Hoje dou por mim a continuar desejar alguma coisa e a pensar "Quando eu for grande...". Não é que seja pequena e tenho quase a certeza que já não hei-de passar do meu metro e setenta. Mas sou do tamanho que sou e parece-me que é sempre um tamanho pequeno.
Se imaginasse, em pequena, que quando fosse grande seria isto acho que não iria pensar naquela frase tantas vezes.
Hoje sei que sou grande pelas responsabilidades, pelas contas que chegam no meu nome, pelas compras que tenho que ser eu a fazer, pela casa que tenho de ser eu a arrumar.
Hoje sei que sou pequena quando em certas situações me sinto a minguar, me sinto a diminuir, me sinto menos.
No fundo só desejo que quando for grande consiga sentir-me do tamanho que sou!


Imagem: Music for two by Yuri Bonder
(All rights reserved)

terça-feira, 5 de maio de 2009

And we're back!


Pois é! Na foto são eles! A jogar à bola (ou o Requy a fugir com ela) mas são eles!
Os meus piores receios (ou desejos) não se concretizaram! O Requy portou-se como um Senhor Cão e nunca saiu de ao pé de nós, estando sempre pronto para apanhar uma bola, um osso ou uma entremeada!
Saltou muros, ladrou a um carro que passava no outro monte em frente e chegou mesmo a tomar banho na barragem!
Lançou-se de corpo inteiro em busca dos paus que lhe atiravam e trazia-os de volta muito cheio de si próprio (depois estilhaçava-os todos para que não lhos voltassem a atirar mas isso são pormenores).
Dormiu aos nossos pés, debaixo da mesa, ao pé da lareira, à porta de casa.
Acho que o Requy descobriu o que é o Paraíso e usufruiu dele ao máximo!
Da minha parte só posso mesmo dizer que adorei o sítio e gostei imenso do ambiente e das pessoas. Não foi tão stressante quanto pensei que pudesse vir a ser e foi muito mais agradável do que alguma vez poderia ter desejado!

Voltámos os três cansados mas sem dúvida um bocadinho mais felizes!


Fotografia de M.V.
(Todos os Direitos reservados)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A ver vamos...


Pois é. Na foto somos nós! Ainda somos nós! Na próxima segunda-feira poderei ser já só eu!
Eu explico:

Vamos amanhã os três para um monte que ouvi dizer que fica no meio de nenhures.
Levo o Requy (e cheira-me que me vou arrepender porque há pessoal que tem medo... se bem que eu também tenho medo deles e isso não é impeditivo).
Eu já disse que o ia soltar, deixar correr solto e em plena liberdade por aqueles campos fora (mas não sem antes lhe tirar toda e qualquer identificação he he he).
Agora quero ver se as aulas do COB (Curso de Obediência Básica) deram ou não resultado e se depois de tantas aulas o cão ganhou finalmente inteligência.
Das duas três:

- se ele voltar é porque é mesmo burro
- se não voltar é porque é mesmo otário
- se voltarem os dois e me deixarem lá atada a uma árvore mostra que pelo menos um dos dois é inteligente!

Vamos ver quem vem postar aqui na segunda!

Fotografia: Cão e dona em exame para COB depois do cão ter sido atacado por um Rottweiler no exercício do Fica! O cão passou... eu chumbei! ;)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Flores


Ontem no IndieLisboa estava a ver o Cungking Dream quando um dos intervenientes diz mais ou menos o seguinte:

As pessoas são como flores. Deus criou as flores como criou os homens. Amarelos, pretos, brancos... grandes, pequenos... narizes grandes, narizes pequenos.
São flores.

Nunca tinha pensado nas pessoas nesses termos. Nunca tinha feito nem ouvido fazer tal analogia.
Mas achei a comparação das mais bonitas que já ouvi.

Como sabe bem ouvir algo pela primeira vez!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Mas fazem toda a diferença!


Podem-me dizer que são as pequenas coisas que contam
Eu só digo:
São pormenores!


Vou tentar...



Perdoem-me a falta de palavras
a falta de abraços
a falta de sorrisos
a falta de conversas
Perdoem-me andar pelas avessas
andar sem estar
estar sem aparecer
Perdoem-me o não conseguir ser
o que vocês esperam que eu seja
Perdoem-me não ser quem vocês queriam
por vezes também eu sou quem não quero
Perdoem-me por estar caladinha
por ser low-profile
por ser má companhia
Sou apenas quem sou!
Perdoem-me pelas vossas expectativas
pelos vossos anseios
Perdoem-me pelos vossos preconceitos
e por isso me deixar sem jeito
Perdoem-me pelo passado mal fadado
pelas relações que não duram
e até pela chuva
Perdoem-me por ser nova, por ser morena, por ser loura
pela cor e pela textura
por ser uma ruptura
por não ser igual
Perdoem-me se for possível perdoar
eu prometo que vou tentar!


Fotografia: My Duality by Martin Stranka
(All rights deserved)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Não mais lembrar


Escrevia freneticamente como se isso a fosse acalmar, como se as letras desenhadas no seu teclado fossem de alguma maneira partes de um calmante.
Escrevia freneticamente como que a querer transpor para o texto a sua raiva e a falta dela, a sua tristeza e a falta dela, a sua indignação, a sua confusão, a sua complicação.
Escrevia freneticamente como se assim, se fosse rápida o suficiente, se fosse ágil, como se isso lhe trouxesse audacidade, como se isso lhe trouxesse coragem como se isso lhe trouxesse o que faltava agora à sua vida e que ainda não tinha as palavras certas para dizer o que era.
Escrevia freneticamente como se isso a deixasse deitar mãos ao pensamento e assim ter mãos neles.
Escrevia freneticamente porque não sabia outra maneira de escrever tal como não sabia outra maneira de viver.
Escrevia freneticamente na esperança que isso ajudasse a mudar as coisas, a mudar os sentimentos, a mudar tudo o que já tinha acontecido e assim mudar o rumo das coisas por vir.
Escrevia freneticamente porque queria este fluir constante de mudanças, queria as alterações, as modificações. Queria a vida diferente, ser outro tipo de gente e por vezes nem queria mesmo ser pessoa.
Escrevia freneticamente para ao mesmo tempo que ficava escrito ficar também logo tudo esquecido.
Queria não mais lembrar.
Queria não ter o que esquecer.


Fotografia: Holocaust memorial by Toko
(All rights reserved)

Só porque a alma o exige...


Não sou maria chorona. Aliás não sou mesmo de chorar.
Se choro é porque preciso. É porque o corpo o pede. É porque a alma o exige.
Não sou de chorar. Sou de guardar. Sou de disfarçar. Sou de mascarar. Mas não sou de chorar.
Se as lágrimas me escorrem pelo rosto é porque não poderiam mais estar na indecisão. É sempre porque o corpo pede e porque a alma o exige.
Não sou de chorar. Mas sou capaz de o fazer se vir uma imagem bonita, se ler palavras que me tocam, por todos os motivos e por nenhum.
Não sou de chorar e raramente choro nos momentos certos. E por isso basta uma outra coisa qualquer e eu desato a chorar porque não suporto o peso, porque aproveito aquele momento de catarse para desabafar... para desabar.
Não sou de chorar.
Mas hoje não me mostrem nada de bonito e não me dirijam a palavra senão desato a chorar!

Fotografia: Don't by Marcin Janocha
(All rights reserved)

Porque às vezes é preciso calar!


Chega de palavras meigas!
Chega de palavras cheias de emoção
cheias de ilusão
Chega de imagens que nunca foram fotografadas
mas que deixaram para sempre a sua marca
deixa-me tentar ao menos arrancar as palavras
tirar-lhes o seu contexto
deixá-las perdidas e sem nexo
Chega de palavras doces
dos beijos e dos beijinhos
do "seremos para sempre amigos"
do futuro sem condições
e das suas contradições
chega de ilusões
Chega de palavras faladas
de palavras escritas
de palavras sentidas
Chega de palavreado
do sentido e do mal floreado
chega das palavras ocas
das palavras vazias
das palavras que eu um dia amei
das palavras que esqueci
e das palavras que detestei
Chega de palavras
das suas consoantes e das suas vogais
dos seus espaços e dos invertebrados
dos sinónimos e dos antónimos
das regras gramaticais
das facadas e dos erros
chega até de tanto enredo
de tanta complicação.
Chega de escrever
chega de ler
chega de ter informação a entrar
chega de me sentir sempre a lutar
chega de remar
de remar contra as palavras
de remar contra os sentidos
de remar contra nada
Chega de palavras
das bonitas e das feias
das que nos fazem rir e chorar
das que nos fazem sonhar
Chega de palavras
e é por chegar
que vou acabar!


Fotografia: kenan dogulu olmaz IV by Mehmet Turgut
(All rights reserved)