quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Arrumações

Sinto o formigueiro na ponta dos dedos
uma onda de qualquer coisa a encher-me o peito
a ânsia de vir aqui e escrever qualquer coisa
uma vontade inexplicável de deitar cá para fora
só para descobrir o que tenho cá dentro
alguma coisa que não sei
não sei o que é
que não tem nome
que não tem nada
Sinto a dor de uma palavra ainda por parir
sinto a ânsia de estar quase a partir
a vontade de começar
e o medo de não aguentar
Sinto o formigueiro dos medos e dos desejos
que são tudo formas diferentes de anseios
que são tudo formas diferentes de vida
que sou eu de forma tripartida
de forma partida
de forma dividida
Sinto o formigueiro das dúvidas
só minhas
dos medos
só meus
das vertigens das coisas pequeninas
da falta de futuro
da falta de fundo
da falta de coluna
Sinto o formigueiro pequenino de um mundo enorme em erupção
em constante alteração
em constante movimento
Sinto-me a tremer, a perder o pé, a ter falta de ar
falta-me chão
falta-me espaço
falta-me oxigénio
faltam-me as palavras
e continuo a sentir o formigueiro na ponta dos dedos
na ponta dos meus anseios
no meu mais profundo desejo
e calo as esperanças
calo os sonhos e as lembranças
E meto no mesmo saco o passado e o futuro
só para não ter que pensar muito
e deixar-me simplesmente estar.

2 comentários:

PP disse...

sacode o açucar dos dedos... e o formigueiro desaparece. hehehe

Sandrine disse...

he he he... mas como é que eu não me lembrei disso!!!!

Sabes tantooo PP :)