sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Dar a ilusão...


Vamos dançar!
Vamos dar a ilusão que sabemos voar
Vamos apenas fingir...
e por favor... não paremos por aí!
Vem e mostra-me os caminhos
vem e mostra-me os sorrisos
vem e ajuda-me a lembrar
Vem, vamos dançar!
em pontas consigo andar
sei que te vou impressionar!
Vem, vamos dançar!
No fim sei que te vou conseguir amarrar
e que não vais mais querer me largar!
Vem, vamos dançar...
vamos apenas fingir
que fazemos um lindíssimo par!



Fotografia: Bondage ballet by John Tisbury
(All rights reserved)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Pain


"There are no shortcuts in life or in love. This pain must be felt, the alternative it's much worse. It's what makes us special, what makes us beautiful, what makes us worthy! It's the pain of how we love. But that pain is accompanied by something else, isn't it? Hope! With your pain there is hope, and that is where you are, somewhere between agony, optimism and prayer.
So you're Human!
You're alive!
And that is what we have!"

(In B&S)


Fotografia: Sadness2 by Lidia Estrada
(All rights reserved)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Tempo


Hoje estou como o tempo.
Ou será o tempo que está como eu estou?
Nunca percebi quem influenciava quem...
Estas questões são sempre (i?)relevantes e sempre me ocuparam grande parte do tempo, terá sido talvez por isso que acabei por tirar um curso de Filosofia. Ou por isso ou por não ter conseguido entrar em Direito. Lá está! Esta é mais uma das questões à qual não consigo encontrar reposta.
Como a de saber se ouço música triste porque estou triste ou se é por ouvir música triste que fico (ainda mais) triste.
Tento não pensar muito nisto. Esta é uma das vantagens da idade que vai aumentando na parte de trás do Bilhete de identidade (e que de não sei quantos em não sei quantos anos se vai notando também na fotografia que se encontra à frente). Às tantas perdemos o interesse ou a curiosidade (ou pura e simplesmente a paciência) de tentar encontrar resposta para estas questões.
Mas hoje estou como o tempo. Ora acinzentada e a sentir-me enublada ora com uns raios de sol a despoletar.
Ora a sentir na pele o calor que me assola ora a sentir um arrepio agradável de frio.
Hoje estou assim, como o tempo!
Ou então é mesmo o tempo que está como eu!
Não sei!


Fotografia: Feel the silence by Nilgün Kara
(All rights reserved)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Hoje vi-te


Hoje vi-te
Olhei para trás e vi-te
e tu nem sorriste
Segui em frente e não consegui sorrir-te
Hoje vi-te
vi impregnado no teu corpo as recordações de todos os dias
vi as discussões e as alegrias
vi tudo o que já não queria ver
e senti-me a morrer
Hoje vi-te
e tinhas no corpo o cheiro de todas as recordações
o cheiro de todas as emoções
e senti-me a desvanecer
Hoje vi-te
e tinhas no olhar o meu olhar reflectido
e nele tudo o que já não tinha sentido
e percebi que precisava de renascer
Hoje vi-te
e ao ver-te percebi
que estava a olhar para mim!


Fotografia: Almod II by Mehmet Turgut
(All rights reserved)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Will you?



Vem e beija-me de mansinho!
Faz-me lá esse jeitinho
e dá-me só um beijinho!



Fotografia: Kiss me by Jose Manchado
(All rights reserved)

...


Vou só dormir um bocadinho...
Volto já!



Fotografia: Sleep2 by Dan Solberg
(All rights reserved)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Ich Weiβ!! :)



Ainda não sei...
se será do teu sorriso
desse teu jeito castiço
do facto de seres pequenino
ainda não sei...
Há uma cumplicidade
uma grande amizade
e um enorme carinho
mas ainda não sei...
Se será da forma como me fazes sorrir
da forma como me tiras do sério
ou desse teu intrínseco despautério
ainda não sei...
Gosto desse teu sorriso magrinho
metido em cara de menino
dessa tua forma grandiosa de ser!
Gosto dessa dor que é a tua,
da forma como a escondes
e de como isso te torna uma pessoa mais adulta
Gosto quando nos rimos os dois
quando brindamos ao que virá depois
e sentimo-nos bem simplesmente assim.
Talvez nunca venha a saber...
mas sinto que és um como um irmão para mim!



Fotografia: Holding hands by Amanda
(All rights reserved)

terça-feira, 29 de julho de 2008

As horas



Passam os dias, passam as horas
e o relógio marca o tempo de sempre
o tempo que já foi e o que virá
nele vemos o futuro que se aproxima
e num tic-tac contínuo deixamos sempre um outro tempo ficar para trás
Na dualidade destes momentos continuamente passados
constantemente presentes
e eternamente a antecipar
vamos vivendo...
vamos tropeçando nos ponteiros dos relógios
arrítmicos, descompassados, fora de tempo
Num mundo de relógios diferentes
cada um marca o seu próprio ritmo
e o barulho torna-se ensurdecedor
Se um relógio pára torna-se enlouquecedor
E se nos fixarmos nos ponteiros sentimo-nos a tremer
É o tic-tac que nos impele, que nos derrete, que nos faz recuar
é o constante movimento que nos leva a querer parar
e é a paragem que nos faz querer mover.
São os tempos em que vivemos
todos eles diferentes
nunca ao mesmo tempo presentes
mas no mesmo relógio confinados.
São os nossos ponteiros, sempre só nossos
na nossa parede pendurados
Nós somos a parede, os retratos e as recordações
um misto interno de emoções
um tic-tac nunca acabado, nem sempre o idealizado
mas o que nos faz ter ambições.
Ambicionamos um mundo melhor
uma vida melhor
uma conta melhor
e no fundo nem percebemos
que tudo se resume a um relógio
que deveria ser acarinhado
que deveríamos aprender a escutar!


Fotografia: No face clock by Lein
(All rights reserved)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

E porque não?



Vem e deita-te a meu lado...
... há sempre espaço!



Fotografia: Don't tell me by Jungle Ali
(All rights reserved)

Fernando Pessoa / Álvaro de Campos


“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
[...]
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
[...]
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
[...]
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.”

Fernando Pessoa/Álvaro de Campos
Tabacaria (Excerto)
(Lisboa, 1888-1935)


Fotografia: The confusion of tounges by Deyan Stefanov
(All rights reserved)