sexta-feira, 5 de julho de 2013

dois para lá dois pra cá

É um silêncio


assim
um silêncio
zero palavras
zero sons
apenas isto


assim
um silêncio!
fazemos a dança do vais por aqui e eu dou meia volta e vou por ali
trocamos as palavras
não. não trocamos.
damos.
damos as palavras sem as esperar de volta.
sem o retorno.
damos e apenas isso.
e a dança continua
como a Elis dizia
dois pra lá dois pra cá
uma dança a dois
mas sem nenhum
dançamos
damos palavras
e o silêncio
o que custa é o silêncio
o ouvir as paredes chorarem
o chão a ranger os dentes de dor
as janelas que se querem fechadas
o silêncio
permite ouvir tudo
dá azo a tudo
e no fim
damos o silêncio
dançamos palavras
apenas isto



assim
um silêncio!



segunda-feira, 20 de maio de 2013

A primeira gota é que não...



ação e inação
ato e efeito
consequência
e se pudesse?
voltar atrás, retirar a gota
que deu lugar à onda
que acabou num tsunami?
vezes sem conta queremos retirar a gota primeira
a que deu lugar a tudo o resto
preferíamos ser corrente
ser rio
ser cascata
tudo a ser gota
tudo a ter sido a primeira gota
E agora ser barragem
conter os danos
conter a água
conter o rio e a corrente
Ser barragem somente.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A revolução...





... precisa de ser feita outra vez!



quarta-feira, 13 de março de 2013

sem nada

É o meu nome.
Sandra.
O meu nome.
mas não sou eu.
Não me identifico com ele tal como não me identifico com a minha imagem e muito menos com a minha idade
alturas há em que até a vida que vivo não parece a minha.
Dias em que a respiração é feita em suspenso. Inspiro para dentro de nada expiro diretamente para o vazio.
Os pensamentos são meus. Só meus. E mesmo esses por vezes mascaram-se em outros que não eu e ganham vida própria deixando-me ao abandono e sem pensamentos que sobrem.
os amigos são os meus. até ao momento em que olho para eles e penso se serão realmente meus ou de um outro alguém que não eu. Se vieram por mim ou por pensamentos que se tornaram em palavras de outrem. discurso bipolar este. bipolar para vocês. para mim faz sentido. aliás... todo o sentido. desde quando somos o que somos do início ao fim? com que certeza absurda se pode dizer que o eu de hoje será o eu de amanhã?
mas o que mais me impressiona é o nome... não é o meu... de todo este nome não é o meu
e qual é?
nem eu sei.
prefiro não ter nome.
eu sou eu
sem nome.
sem terra.
apenas eu.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

E já agora...

Deve haver outra maneira de fazer com que as coisas façam sentido.
As coisas não. As minhas desculpas. Deixem-me corrigir: os pensamentos.
E já agora os sentimentos também.
Deve haver um outro modo de compartimentar e de fazer com que tenham sentido. De torná-los racionais.
E já agora automáticos.
Sim, que esta coisa de pensar e re-pensar só dá dor de cabeça
e muitas vezes sentidos que se perdem nos sentimentos e sentimentos que são mal descritos.. ou mal sentidos...
por isso tem que haver outra forma, um outro modo, uma solução mais óbvia... fácil... clara...
porque esta coisa de pensar e sentir como se fossemos um quadro de Picasso ou uma instalação pós-moderna tem muito que se lhe diga... ou antes... pode-se dizer tudo o que se quiser porque nada há que restrinja tudo isto.
Portanto tem mesmo que haver. Uma espècie de Do it yourself mas guia do pensamento linear para tótós. Uma coisa pequenina e fácil de perceber, uma espécie de chave mestra de todas as fechaduras que o cérebro contém e que dá para mil e um pensamentos.
Pequenas portas para grandes problemas (e de repente a imagem de Alice no País das Maravilhas...)
Portanto tem que haver qualquer coisa capaz de fazer o click
e que de um momento para o outro faça com que tudo passe a ter sentido
tudo não... as minhas desculpas
apenas os pensamentos
E já agora os sentimentos também.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sonhos a mais

Todos temos sonhos.
Eu costumo dizer que sonho demais.
Sinto que sonho demais.
As minhas noites são repletas de sonhos, como se as noites fossem cheias de ideias e de ideais, de coisas absurdas e de outras menos absurdas.
Sonho muito.
Cansam-me estes sonhos que não me deixam descansar.
E acordo cansada.
E de dia não sonho.
E se me perguntam que sonhos eu tenho na vida eu apenas sei os sonhos que sonhei de noite.
Como se os tivesse sonhado todos.
Esgotado a minha quota.
Não há mais sonhos para sonhar.
E chega a noite e eles ganham vida.
E novamente eu, a sonhar, a acordar, a voltar a adormecer, a voltar a sonhar...
a acordar com cada barulho, com cada ranger da casa, com suspiro que ela dá no silêncio da noite.
E também eu suspiro.
Quero dormir.
Preciso de dormir.
E depois vem a inveja.
A inveja dos que não sonham, dos que sonham e que não se lembram.
inveja de raramente saber o que é dormir como uma pedra.
Todos temos sonhos
e eu de tanto sonhá-los à noite
acordo sempre sem sonhos por que ansiar.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Pequenos prazeres

E refeições modestas e em pequenas porções!

Que isto é tudo muito giro mas a verdade é que cada vez trabalho mais e o recibo do ordenado é cada vez menor...

Sempre à frente a Maninha e Mamica ofereceram esta mala super gira para trazer o almocinho!



E o cunhadinho que é hiper fixe uma caixinha a condizer:


Agora é ver-me a andar toda pimpolha de malinha a tiracolo e a fazer inveja aos demais mortais he he he!!!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Trabalhar dá saúde?



... a mim, a trabalhar como tenho estado a trabalhar e as horas que tenho trabalhado levam-me à conclusão que saúde não dá...
Mas dá cá uma soneiraaaaa!!!!!!!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Linha de produção

Com a revolução industrial vieram ao mundo doenças do foro físico e psicológico.
Não foram só as máquinas e os produtos à barda... os malefícios acompanharam essa grande revolução que abriu as portas ao consumismo desenfreado que hoje em dia nos assola.
Para além de todos os factores óbvios e conhecidos da poluição, 'escravidão', do proletariado e dos capitalistas houve um factor que chegou até a ser motivo de 'chacota' nos filmes do Charlie Chaplin (como o Modern Times de 1936) onde os movimentos repetitivos dos trabalhadores foi genialmente retratado. A repetição e o mecanicismo, a produção em linha trouxeram problemas que ainda hoje se tenta que sejam abolidos das fábricas (não por preocupação dos empregadores mas por imposição legal).
Hoje sinto que voltei ao início da revolução industrial e que estou há horas numa linha de produção.
Os movimentos são já mecânicos.
os gestos automáticos.
E eu mais pareço uma máquina.
Busca lenço
assoa
pousa lenço
espirra
busca lenço
tosse
assoa
pousa lenço
espirra
...

Será que posso processar-me a mim mesma?

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Espelho meu, espelho meu...


Se me deres uma imagem juro que farei os mais belos comentários
irei-te descrever as suas cores até lhes sentires o sabor na boca
do sol irás sentir o seu calor
e se for uma imagem noturna
irás sentir o chão como os astronautas sentiram a lua
Se me deres um texto sentar-me-ei ao teu lado e os dois
passo a passo
iremos descodificar os seus sentidos
as suas mensagens
os mal-entendidos
o que ficou por dizer nas entre-linhas...
Mas não me faças perguntas
não me exijas respostas
não perguntes como estou
ou sequer como quero estar
não me exijas respostas com o teu olhar
e se no meio das palavras só saírem baboseiras
desculpa-me mas não me deixes de falar.
Mas também te digo
com toda a sinceridade amigo
não te esqueças de olhar para ti antes de me criticares
não te iludas em sonhos que se calhar já nem são os teus
que se calhar são sonhos de estimação
meras ilusões
meras desilusões
Não me batas por não ser dona da verdade
ou por não ser aventureira
e deixar por descobrir países e mares
não me dês nas orelhas porque não faço perguntas
e não te entristeças por não te dar respostas...
se o meu silêncio te irrita
lembra-te que também tu te calas na tua própria dor
no teu próprio altivismo
nesse sarcasmo que finge e que engana
nesse esperar já quase sem esperança
No fundo somos imagens reflectidas no mesmo espelho
Sem perguntas, sem respostas
apenas o reflexo de uma ilusão.