quinta-feira, 14 de junho de 2012

...

O cão está com dores...
Do nada manda um ganido que me dói bem fundo na alma.
Junto a minha dor à dele e finjo que é apenas uma
também a mim me apetecia poder exteriorizar como ele o faz...
Mas o cão está com dores, o meu companheiro de uma vida... com dores
tristonho, cabisbaixo, sempre deitado mas sem dormir...
não sei se para me acompanhar ou se eu para o acompanhar
quase uiva de dor
e eu quase choro ao ouvi-lo
E é uma dor que me abre o peito
a minha e a dele
juntas
já não dá para perceber qual a dor que pertence a quem
deito-me ao seu lado e fico a olhá-lo
e ele 'queixa-se' e eu quase que choro...
e sussurro-lhe ao ouvido e de mansinho
"não me podes deixar agora... a dona precisa de ti..."
e ele respira fundo
e eu fico apenas ali
atenta ao seu batimento cardíaco
ao mesmo tempo que ignoro o meu!
O cão está com dores...
e tudo em mim me dói!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Descobertas

O FB tem destas coisas boas... ajudam-nos a descobrir boa música!

Descobri o Azevedo Silva e agora é ouvir em repeat!!

Muito bom!!

A quem o partilhou um muito obrigada, um grande beijo e muita saúdinha e da boa :-)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

E no início era o verbo
ou foi o pensamento?
vieram os artigos, os definidos e os que ficaram por definir
vieram os adjectivos, os antónimos e os sinónimos
vieram as palavras
montes delas
e com elas os pensamentos
rios deles
ou vice-versa
que a questão da origem para aqui não interessa
Vieram os pensamentos e as palavras
e o cérebro tornou-se num motor
num labirinto
E chega a doer a rapidez e a força com que as palavras nos seguem
metemo-nos pelo labirinto adentro
na esperança de chegar ao seu fim.
à procura da saída
de uma saída.
Agarramo-nos ao fio de Ariane na esperança que nos guie
que nos ajude
e damos voltas e mais voltas
corremos pelo labirinto que é o nosso cérebro
esbarramos em obstáculos
paredes de vegetação densa, condensada, opaca
florestas inultrapassáveis
damos voltas e mais voltas
voltamos ao ponto de partida
e o fio que era suposto nos guiar
é o mesmo que se entrelaça nos nossos pés
que se enrola e nos faz tropeçar
cair
retiramos os nós
e que nem pugilistas
ficamos por momentos sentados a um canto
a reganhar as forças entretanto perdidas
apenas para nos voltarmos a levantar
e recomeçar a luta.
E no início era o verbo
ou o pensamento
que aqui não nos interessa a origem
apenas a demanda por uma saída!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Deixou-se ficar ali sentada.
Imóvel.
Horas
À espera.
O móvel, de madeira escura, quase preto
igual a tantos outros móveis
em outras tantas casas
Dividido em dois módulos
no alto o telefone com a sua enorme roda, os números já sujos dos dedos descuidados que rodaram a roda da sorte
muitas vezes sem sorte nenhuma
o telefone em cima de um napperon, oferta da avó para o seu enxoval
o enxoval que chegou a ouvir dizer entre janelas que era mal aproveitado
que aquela ia ficar para tia
ela era aquela
e as palavras trocadas entre janelas entravam-lhe por entre os ouvidos
ou pelos ouvidos e ficavam a pairar ente eles
Rapidamente as palavras saíam
mas o napperon ficou
fosse como fosse a ela davam-lhe jeito aquelas coisas
os panos e os lençóis de linho branco
imaculados
bordados
(ela não gostava dos bordados).
mas deixou-se ficar ali sentada
na segunda parte do móvel que tinha mesmo essa função
a de servir a quem nele se quisesse sentar
quem nele quisesse esperar
E ela esperou
esperou pelo telefonema que nunca chegou
pelo toque
pelo aviso
Cansada de esperar, levantou-se num ímpeto
deixou-se ficar de pé
ainda a balouçar das tonturas
e pensou
que a vida era tramada
se se espera... perde-se o momento
se nos levantamos... trememos das pernas...
sorriu
abriu a porta e saiu.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Bernardo Sassetti




Falha-te o pé e tens o precipício à tua frente
o vazio do espaço que se perde e que não deixa que te agarres
os teus dedos a sentirem o ar que por eles passa
teclas de um piano invisíveis, sem som
deixas o mundo
no mundo a tua marca
indelével
inigualável
e nós ficamos
parados
calados
estupefactos
e perguntamos
Porquê
repetimos a pergunta até à loucura
perdemos já o limiar
perdemos já a noção do razoável
do bom sentido
O que há de razoável numa vida assim?
Qual é a ordem, a justificação
O que responder quando vozes pequenas perguntarem o porquê
quando lágrimas grandes se agarrarem a memórias
memórias privadas
que não saíram em cd
que cada um de nós não irá tocar
não irá ouvir
O que há de razoável no caos
qual é a justificação
morre-se e é isso? e ficamos assim?
farta de mortes sem sentido
de quedas no precipício
de ver que nada faz sentido
E um dia falha-nos o pé
e caímos
e depois nada a dizer
apenas
o Fim!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Espaço, tempo e silêncios

Ele tocou-lhe no ombro com a suavidade de algo que não se quer dizer
que não faz sentido ser-se dito
ou foi ela quem lhe tocou
os gestos encontram-se difusos, confusos, diluídos na memória
tocaram-se
sentiram-se
fizeram do espaço algo indefinido
sem sentido
inexistente
Deixaram-se ficar ali de olhos nos olhos, de lábios nos lábios, de mãos a tocarem-se como se fossem instrumentos musicais
deixaram-se levar pelas notas que a noite ia tocando
ela entoando
ele ouvindo
ou o contrário
que a memória faz-nos sempre partidas e torna-se selectiva
deixaram as palavras e os momentos correrem pelas horas
num sprint em direção a uma meta que nenhum deles sabia existir
Assim são os assuntos da carne
que não se pode falar de coração
(se bem que... o que é o coração que não um pedaço de carne?)
Deixaram-se estar enquanto as horas passavam
e como nos filmes
deixaram essa noite acontecer sabendo que outras não se seguiam
E no dia seguinte ficou o espaço
espesso
definido
a fazer-se presente
e deixaram-se ficar de olhos no horizonte
de lábios secos
e com as mãos nos bolsos
Ficou o silêncio
Mas sem arrependimentos
porque a música não acontece sem pausas
e o silêncio é essencial para que se possa ouvir mais
e o espaço é necessário para se ter mais por onde andar

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Olho para trás e foram 9, quase 10 anos.
Epá... e tanta coisa aconteceu em 9, quase 10 anos.
No início a incerteza, o medo. Pânico mesmo. Daquele que nos faz
parar. Que nos acorda a meio da noite. A sensação de falta de ar.
No início a caixa de cartão a suportar a tv de cozinha que a minha mãe amavelmente me deu. À frente da tv uma cadeira de plástico... daquelas de café. Mais tarde a cadeira de plástico e uma cadeira tipo de balouço.
Aos poucos vieram o sofá, uma tv maior, um móvel de centro, um móvel para a tv. Estantes para meter os livros. Cada vez mais livros.
Uma ou outra planta que, cada uma à vez, lá se iam suicidando.
Um colchão novo. Uma mesinha de cabeceira. Um candeeiro de quarto.
Tenho a dizer que não comprei nenhum candeeiro. Chego agora à conclusão que me foram todos oferecidos.
Ainda sem cortinas.
Os amigos, os jantares, o vinho e a cerveja a mais. Os martinis e os queijos. Os cigarros fumados uns atrás dos outros. As lágrimas e as gargalhadas.
Os inícios e os fins.
Objetos atirados contra as paredes. os amigos íntimos a saberem disso. A fazerem disso anedota. Sempre ao meu lado. Sempre comigo. Mesmo os ausentes.
As noites a só (sabem tão bem). As noites em que me senti sozinha (a dor no peito).
O Requy sempre comigo. Ao meu lado. Meu companheiro de uma vida.
Ele só conheceu aquela casa.
Para mim foi a minha primeira casa. Fiz dela o meu lar.
E agora...sim agora fica uma certa nostalgia.Quase de lagriminha no olho.
Mudar é bom eu sei.
Mas foi ali que dez anos da minha passaram e vai ser difícil deixar de entrar ali.
Olho para trás e foram 9, quase 10 anos... e nem dei por eles passarem...

terça-feira, 27 de março de 2012

Apenas para se deixar cair

Ainda com as mãos a agarrar na cabeça sentiu o chão a fugir-lhe debaixo dos pés.
O vazio.
A sensação de que o mundo tinha acabado.
que deveria ter acabado.
que era bom se assim fosse
Ainda com as mãos na cabeça deixou-se levar para onde os olhos não ousaram mais ir
deixou-se ir
só para não ficar.
Ainda com as mãos na cabeça achou por bem deixá-las cair
os braços pendurados ao longo do corpo
braços sem acção, penduricalhos que lhe caíam dos ombros
os ombros que apenas ali se mantinham porque sem as mãos alguma coisa tinha que segurar a cabeça
e o vento que não corria e que devia correr
e a chuva que não caía para disfarçar o que o rosto queria esconder
e a vergonha dos braços caídos
e a vontade de correr
e o colocar de novo as mãos na cabeça
e o chão que não chegou a fugir
e os pés a tremerem de medo
à espera
a aguardar a chegada do vazio
apenas para se deixar cair...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Yes it is...



Sorry... não me lembro já onde encontrei...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Se for a pensar bem...


... tenho que admitir que sou uma mulher Feliz!!!

E é tão bom sentir isso!!!!

:)