... o meu colega conseguisse falar sem emitir som
... ou então conseguisse não falar de todo!
E se na repetição das horas perdermos a visão dos minutos?
sussurras-me ao ouvido o passar dos segundos?
terça-feira, 29 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Podia dar-me para pior
A Direcção Geral de Saúde mandou-me um sms:
Com sintomas de gripe fique em casa e ligue 808 24 24 24 ou contacte o seu médico. Reforce as medidas de higiene. Evite contagiar outros. "
à qual só me apetece responder:
Eu estou bem obrigada e essa saudinha como vai??
Com sintomas de gripe fique em casa e ligue 808 24 24 24 ou contacte o seu médico. Reforce as medidas de higiene. Evite contagiar outros. "
à qual só me apetece responder:
Eu estou bem obrigada e essa saudinha como vai??
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Interregno
"Eu nem sequer gosto de escrever,
Acontece-me às vezes estar tão desesperado que me refugio no papel como quem se esconde para chorar.
E o mais estranho é arrancar da minha angústia palavras de profunda reconciliação com a vida."
Eugénio de Andrade in Rosto Precário, 1979
E eu por vezes até gosto e outras nem consigo...
E procuro no teu colo o refúgio e procuro no meu silêncio o exílio e encontro nada disto em lugar nenhum. E em vez das lágrimas que seriam um alívio encontro palavras endurecidas, gestos inexplicáveis, palavras desconhecidas em pessoas que julgávamos conhecer, sentimentos novos em pessoas que julgávamos gostar e por vezes o desconsolo, e por vezes a incompreensão, e por vezes apenas uma pequena decepção. Pequena porque a vida já não dá para mais.
E o estranho é pensar que as palavras me confortam e o que me entristece é que por vezes magoam.
E o mais estranho é ter tudo isto em mim, é arrancar as palavras e os sentidos, por vezes até gestos, por vezes até os órgãos e arrancá-los e atirá-los ao mar, atirá-los ao rio, jogá-los fora só para não mais jogar com eles.
E o estranho é que mesmo assim consigo reconciliar-me com a vida.
E eu que nem sequer gosto de escrever.
Quer dizer... por vezes gosto.
Mas há vezes que nem consigo!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Simpatia
terça-feira, 15 de setembro de 2009
São Tomé

Voltei!
Voltei cheia de cor e de sabores novos, com os sorrisos guardados, com as experiências ainda a marcar o ritmo "léve, léve" de São Tomé!
Dos São Tomenses trago a simpatia e as perguntas infindáveis.
De São Tomé trago um tempo que tem um ritmo diferente mas que me deixou com saudades do meu ritmo, dos meus sorrisos, e dos nossos sabores.
Ficou a vontade de ajudar mas sem perceber ainda se realmente precisam dela!
Por vezes "léve, léve" é apenas uma outra forma de dizer "ser-se feliz!"...
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Assustadoramente simples!

Por vezes quero-te tanto que nem preciso de te ter perto para te ter em mim!
Fotografia: Two hearts by Nilgün Kara
(All rights reserved)
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Narciso

Sempre se despedia quando chegava a altura de mudar.
Despedia-se dos locais e das paisagens, dos caminhos trilhados, dos trilhos desbravados e guardava esses momentos de despedida como memórias do passado.
Despedia-se dos locais, das coisas e das acções... mas nunca das pessoas.
Despedia-se do riacho onde amiúde saciava a sede (mas sempre de olhos fechados! Não que receasse apaixonar-se pelo seu reflexo como se julga que diz o mito, mas porque não queria correr o risco de se reencontrar!), despedia-se do sino da igreja que fora substituído por um imóvel altifalante de barulho estridente e metalizado. Guardava na memória as horas que passara à espera que fosse o sino a dar as horas, mesmo que apenas embalado pelo vento.
Despedia-se do café onde vira as horas passar, não das pessoas... nunca das pessoas, mas da mesa onde se sentava (sempre a mesma, que o Homem é um animal de hábitos e há forças contra as quais é escusado lutar!), da cadeira que ocupava e que lhe suportava o peso quando até para ele era peso a mais para aguentar.
Despedia-se do riso das crianças e das suas brincadeiras (mas nunca das crianças!) que pareciam ficar loucas quando tocava para o intervalo. Despedia-se do cheiro do pão com manteiga e do leite com chocolate que era devorado no intervalo de jogos desenhados a giz no chão (o giz que habilmente surripiavam nas contas da Professora).
Despedia-se das pedras da calçada que em tempos idos foram calcadas por homens suados do calor dos dias e que tantas vezes tinham por ele sido calcorreadas.
Despedia-se para poder continuar a andar por caminhos errantes que nunca sentiu serem os errados.
Em cada novo lugar tornava-se aprendiz de um novo ofício e aluno atento dos novos hábitos a adoptar, dos novos risos a escutar, dos novos sinos a soar.
Soube desde sempre que era nesta errância que se encontrava o seu constante despertar.
Nunca foi uma questão de se redescobrir mas sempre a intenção de se reinventar.
E por cada riacho que passava parava sempre para se refrescar.
Sempre de olhos fechados...
Afinal o Homem é um animal de hábitos e há forças contra as quais não vale mesmo a pena lutar!
Despedia-se dos locais e das paisagens, dos caminhos trilhados, dos trilhos desbravados e guardava esses momentos de despedida como memórias do passado.
Despedia-se dos locais, das coisas e das acções... mas nunca das pessoas.
Despedia-se do riacho onde amiúde saciava a sede (mas sempre de olhos fechados! Não que receasse apaixonar-se pelo seu reflexo como se julga que diz o mito, mas porque não queria correr o risco de se reencontrar!), despedia-se do sino da igreja que fora substituído por um imóvel altifalante de barulho estridente e metalizado. Guardava na memória as horas que passara à espera que fosse o sino a dar as horas, mesmo que apenas embalado pelo vento.
Despedia-se do café onde vira as horas passar, não das pessoas... nunca das pessoas, mas da mesa onde se sentava (sempre a mesma, que o Homem é um animal de hábitos e há forças contra as quais é escusado lutar!), da cadeira que ocupava e que lhe suportava o peso quando até para ele era peso a mais para aguentar.
Despedia-se do riso das crianças e das suas brincadeiras (mas nunca das crianças!) que pareciam ficar loucas quando tocava para o intervalo. Despedia-se do cheiro do pão com manteiga e do leite com chocolate que era devorado no intervalo de jogos desenhados a giz no chão (o giz que habilmente surripiavam nas contas da Professora).
Despedia-se das pedras da calçada que em tempos idos foram calcadas por homens suados do calor dos dias e que tantas vezes tinham por ele sido calcorreadas.
Despedia-se para poder continuar a andar por caminhos errantes que nunca sentiu serem os errados.
Em cada novo lugar tornava-se aprendiz de um novo ofício e aluno atento dos novos hábitos a adoptar, dos novos risos a escutar, dos novos sinos a soar.
Soube desde sempre que era nesta errância que se encontrava o seu constante despertar.
Nunca foi uma questão de se redescobrir mas sempre a intenção de se reinventar.
E por cada riacho que passava parava sempre para se refrescar.
Sempre de olhos fechados...
Afinal o Homem é um animal de hábitos e há forças contra as quais não vale mesmo a pena lutar!
Imagem: Narciso d'amore intermedio by Nuvola
(All Rights reserved)
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Parcas Palavras

Sou de parcas palavras
das faladas, das confrontadas
as palavras das respostas às perguntas difíceis,
as palavras que estão à defensiva
as palavras que elevam a auto-estima
Sou de parcas palavras
e sou assim no dia-a-dia
sem meias-verdades ou meias-mentiras
sem embelezar e sem poesia
Palavras pretas no papel branco
palavras que se elevam no meio
palavras que marcam o fim
Sou de parcas palavras
e nem sempre falo as mais correctas
nem sempre falo as certas
e arrependo-me amiúde do que ficou por falar no final
arrependo-me das palavras que disse mal
e das que foram mal ditas
das que vieram sem contexto
e das que ficaram escritas
das palavras que passaram do pensamento
e que num sopro transformaram-se em gente
transformaram-se em actos
transformaram-se em vida
Sou de parcas palavras
e por vezes sinto-me uma miúda
que procura as palavras certas
e que se limita a escutar
que se limita a querer inventar
as palavras que mais ninguém possa escutar
os sentidos que mais ninguém consegue compreender
Sou de parcas palavras
e por vezes gostava de não ter que falar
e por vezes gostava que apenas o meu olhar
vos fizesse fazer o que mil palavras não conseguiram
que parem e comecem a Escutar!
Fotografia: Hope by Martin Stranka
(All Rights reserved)
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