quinta-feira, 14 de maio de 2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Quando eu for grande


"Quando eu for grande..." é uma frase comum entre as crianças.
O Grande sendo sinónimo de adulto, de responsável, de poder, de poder ser o que se quiser, de poder quebrar as regras porque as fizemos.
Quando era 'pequena' também eu queria ser grande! Queria ser mais.
Queria ser Algo mais do que eu. E se Grande é o antónimo de Pequena a mim a frase servia-me como uma luva!
Hoje dou por mim a continuar desejar alguma coisa e a pensar "Quando eu for grande...". Não é que seja pequena e tenho quase a certeza que já não hei-de passar do meu metro e setenta. Mas sou do tamanho que sou e parece-me que é sempre um tamanho pequeno.
Se imaginasse, em pequena, que quando fosse grande seria isto acho que não iria pensar naquela frase tantas vezes.
Hoje sei que sou grande pelas responsabilidades, pelas contas que chegam no meu nome, pelas compras que tenho que ser eu a fazer, pela casa que tenho de ser eu a arrumar.
Hoje sei que sou pequena quando em certas situações me sinto a minguar, me sinto a diminuir, me sinto menos.
No fundo só desejo que quando for grande consiga sentir-me do tamanho que sou!


Imagem: Music for two by Yuri Bonder
(All rights reserved)

terça-feira, 5 de maio de 2009

And we're back!


Pois é! Na foto são eles! A jogar à bola (ou o Requy a fugir com ela) mas são eles!
Os meus piores receios (ou desejos) não se concretizaram! O Requy portou-se como um Senhor Cão e nunca saiu de ao pé de nós, estando sempre pronto para apanhar uma bola, um osso ou uma entremeada!
Saltou muros, ladrou a um carro que passava no outro monte em frente e chegou mesmo a tomar banho na barragem!
Lançou-se de corpo inteiro em busca dos paus que lhe atiravam e trazia-os de volta muito cheio de si próprio (depois estilhaçava-os todos para que não lhos voltassem a atirar mas isso são pormenores).
Dormiu aos nossos pés, debaixo da mesa, ao pé da lareira, à porta de casa.
Acho que o Requy descobriu o que é o Paraíso e usufruiu dele ao máximo!
Da minha parte só posso mesmo dizer que adorei o sítio e gostei imenso do ambiente e das pessoas. Não foi tão stressante quanto pensei que pudesse vir a ser e foi muito mais agradável do que alguma vez poderia ter desejado!

Voltámos os três cansados mas sem dúvida um bocadinho mais felizes!


Fotografia de M.V.
(Todos os Direitos reservados)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A ver vamos...


Pois é. Na foto somos nós! Ainda somos nós! Na próxima segunda-feira poderei ser já só eu!
Eu explico:

Vamos amanhã os três para um monte que ouvi dizer que fica no meio de nenhures.
Levo o Requy (e cheira-me que me vou arrepender porque há pessoal que tem medo... se bem que eu também tenho medo deles e isso não é impeditivo).
Eu já disse que o ia soltar, deixar correr solto e em plena liberdade por aqueles campos fora (mas não sem antes lhe tirar toda e qualquer identificação he he he).
Agora quero ver se as aulas do COB (Curso de Obediência Básica) deram ou não resultado e se depois de tantas aulas o cão ganhou finalmente inteligência.
Das duas três:

- se ele voltar é porque é mesmo burro
- se não voltar é porque é mesmo otário
- se voltarem os dois e me deixarem lá atada a uma árvore mostra que pelo menos um dos dois é inteligente!

Vamos ver quem vem postar aqui na segunda!

Fotografia: Cão e dona em exame para COB depois do cão ter sido atacado por um Rottweiler no exercício do Fica! O cão passou... eu chumbei! ;)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Flores


Ontem no IndieLisboa estava a ver o Cungking Dream quando um dos intervenientes diz mais ou menos o seguinte:

As pessoas são como flores. Deus criou as flores como criou os homens. Amarelos, pretos, brancos... grandes, pequenos... narizes grandes, narizes pequenos.
São flores.

Nunca tinha pensado nas pessoas nesses termos. Nunca tinha feito nem ouvido fazer tal analogia.
Mas achei a comparação das mais bonitas que já ouvi.

Como sabe bem ouvir algo pela primeira vez!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Mas fazem toda a diferença!


Podem-me dizer que são as pequenas coisas que contam
Eu só digo:
São pormenores!


Vou tentar...



Perdoem-me a falta de palavras
a falta de abraços
a falta de sorrisos
a falta de conversas
Perdoem-me andar pelas avessas
andar sem estar
estar sem aparecer
Perdoem-me o não conseguir ser
o que vocês esperam que eu seja
Perdoem-me não ser quem vocês queriam
por vezes também eu sou quem não quero
Perdoem-me por estar caladinha
por ser low-profile
por ser má companhia
Sou apenas quem sou!
Perdoem-me pelas vossas expectativas
pelos vossos anseios
Perdoem-me pelos vossos preconceitos
e por isso me deixar sem jeito
Perdoem-me pelo passado mal fadado
pelas relações que não duram
e até pela chuva
Perdoem-me por ser nova, por ser morena, por ser loura
pela cor e pela textura
por ser uma ruptura
por não ser igual
Perdoem-me se for possível perdoar
eu prometo que vou tentar!


Fotografia: My Duality by Martin Stranka
(All rights deserved)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Não mais lembrar


Escrevia freneticamente como se isso a fosse acalmar, como se as letras desenhadas no seu teclado fossem de alguma maneira partes de um calmante.
Escrevia freneticamente como que a querer transpor para o texto a sua raiva e a falta dela, a sua tristeza e a falta dela, a sua indignação, a sua confusão, a sua complicação.
Escrevia freneticamente como se assim, se fosse rápida o suficiente, se fosse ágil, como se isso lhe trouxesse audacidade, como se isso lhe trouxesse coragem como se isso lhe trouxesse o que faltava agora à sua vida e que ainda não tinha as palavras certas para dizer o que era.
Escrevia freneticamente como se isso a deixasse deitar mãos ao pensamento e assim ter mãos neles.
Escrevia freneticamente porque não sabia outra maneira de escrever tal como não sabia outra maneira de viver.
Escrevia freneticamente na esperança que isso ajudasse a mudar as coisas, a mudar os sentimentos, a mudar tudo o que já tinha acontecido e assim mudar o rumo das coisas por vir.
Escrevia freneticamente porque queria este fluir constante de mudanças, queria as alterações, as modificações. Queria a vida diferente, ser outro tipo de gente e por vezes nem queria mesmo ser pessoa.
Escrevia freneticamente para ao mesmo tempo que ficava escrito ficar também logo tudo esquecido.
Queria não mais lembrar.
Queria não ter o que esquecer.


Fotografia: Holocaust memorial by Toko
(All rights reserved)

Só porque a alma o exige...


Não sou maria chorona. Aliás não sou mesmo de chorar.
Se choro é porque preciso. É porque o corpo o pede. É porque a alma o exige.
Não sou de chorar. Sou de guardar. Sou de disfarçar. Sou de mascarar. Mas não sou de chorar.
Se as lágrimas me escorrem pelo rosto é porque não poderiam mais estar na indecisão. É sempre porque o corpo pede e porque a alma o exige.
Não sou de chorar. Mas sou capaz de o fazer se vir uma imagem bonita, se ler palavras que me tocam, por todos os motivos e por nenhum.
Não sou de chorar e raramente choro nos momentos certos. E por isso basta uma outra coisa qualquer e eu desato a chorar porque não suporto o peso, porque aproveito aquele momento de catarse para desabafar... para desabar.
Não sou de chorar.
Mas hoje não me mostrem nada de bonito e não me dirijam a palavra senão desato a chorar!

Fotografia: Don't by Marcin Janocha
(All rights reserved)

Porque às vezes é preciso calar!


Chega de palavras meigas!
Chega de palavras cheias de emoção
cheias de ilusão
Chega de imagens que nunca foram fotografadas
mas que deixaram para sempre a sua marca
deixa-me tentar ao menos arrancar as palavras
tirar-lhes o seu contexto
deixá-las perdidas e sem nexo
Chega de palavras doces
dos beijos e dos beijinhos
do "seremos para sempre amigos"
do futuro sem condições
e das suas contradições
chega de ilusões
Chega de palavras faladas
de palavras escritas
de palavras sentidas
Chega de palavreado
do sentido e do mal floreado
chega das palavras ocas
das palavras vazias
das palavras que eu um dia amei
das palavras que esqueci
e das palavras que detestei
Chega de palavras
das suas consoantes e das suas vogais
dos seus espaços e dos invertebrados
dos sinónimos e dos antónimos
das regras gramaticais
das facadas e dos erros
chega até de tanto enredo
de tanta complicação.
Chega de escrever
chega de ler
chega de ter informação a entrar
chega de me sentir sempre a lutar
chega de remar
de remar contra as palavras
de remar contra os sentidos
de remar contra nada
Chega de palavras
das bonitas e das feias
das que nos fazem rir e chorar
das que nos fazem sonhar
Chega de palavras
e é por chegar
que vou acabar!


Fotografia: kenan dogulu olmaz IV by Mehmet Turgut
(All rights reserved)