sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Aimee Mann



Queria poder estar amanhã no Coliseu dos Recreios a ouvir a Aimee Mann...
Tudo bem que o Dinheiro pode não trazer felicidade...
mas neste momento faz-me uma pessoa muito menos feliz!!!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Mar


Afastadas as nuvens dou por mim a sorrir por um minuto

sentindo o sol que me aquece o rosto deixo-me ser feliz por um segundo
e de repente tenho saudades do mar
Apetece-me ir à praia... já isolada, já sem ninguém
e deixar-me ficar ali sentada meramente a olhar
meramente a cheirar
meramente a sentir
De preferência que esteja um bocado de frio
mas com o sol ainda a brilhar
para me sentir assim quente
para me sentir assim abrigada
para me sentir assim em paz.


Fotografia: Hispaniola by Michal Karcz
(All rights reserved)

Verbo Sentir


Eu sinto
Tu sentes
Ele sente
Nós sentimos
Vós sentis
Eles sentem

Se é assim tão simples para quê complicar?


Fotografia: When you burn inside by Nuclear Seasons
(All rights reserved)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Prémio


O Prémio Dardos reconhece o valor de cada blogger ao transmitir valores culturais, éticos, literários ou pessoais e que de alguma forma demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto naquilo que escrevem. Por outro lado, esta é também uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.
Quem recebe o Prémio Dardos e o aceita deve seguir algumas regras:
1. - Exibir a imagem;
2. - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. - Escolher quinze outros blogs aos quais entregar o Prémio Dardos.


O meu veio da Nikky a quem agradeço. Um Blog a visitar!!! Sem dúvida!
O grande problema, aliás, de ter sido a Nikky a dar-me o prémio é que assim eu não posso atribuir-lhe o prémio!
Quanto aos 15 blogues... bom esta menina não visita assim tantos mas dos que visita os que me parecem ser merecedores deste prémio são os seguintes:

1. Kruella
2. Palavras Consentidas
3. Raios & Corriscos
4. Quotidiano

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Cores


Não é meramente uma questão de conceitos, de nomes, de definições.
É o sabermos que é um reflexo do que somos. Que é uma projecção que acaba por ganhar vida própria e que chega mesmo a escapar-nos muitas vezes.
Sei que não sou um arco-íris e que a minha tonalidade é mais o cinzento.
Mas mesmo dentro do cinzento há diferentes escalas de cores.
Não sou colorida.
Não é uma questão de conceito.
É mais uma questão de quem sou!


Fotografia: Drops IX by Denis Grezetic
(All rights reserved)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Castaway



Que nem náufrago em mar alto vou de vela improvisada
de vela içada a deixar-me levar.
Vou sem leme e sem rumo a esperar por boas marés
a esperar atracar em porto seguro
Que nem naufrago perco por vezes a sensação de solidez
a sensação da terra nos meus pés
a sensação de estar segura
e tal como naufrago vou revendo os reflexos desconhecidos
o desconhecido do meu reflexo
distorcido por pequenos salpicos
Vou sem rota delineada e deixo a minha sorte à sorte
deixo o meu futuro à deriva
e deixo que o vento dite a minha fortuna.


Fotografia: Castaway by Victor de la Torre
(All rights reserved)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Representações


É uma forma de fazer rir
de fazer chorar
de fazer sentir
É o dar corpo ao incorpóreo
e deixarmo-nos levar pela ilusão
é a catarse a tomar acção
Gostava de assim poder fingir
de assim poder fugir
e de assim me deixar iludir
É uma estranha profissão
esta a de se esquecer do seu ser
para ser uma forma de diversão
É a loucura a roçar o limiar
a verdade a querer se transformar
que se dá quando um homem se propõe a actuar
É o querer fazer rir
é o que querer fazer chorar
é uma forma de estar eternamente a recomeçar
É uma forma de se dar
sem nunca se dar a conhecer
sem nunca saber o que o faz sofrer
sem nunca se saber o que o faz feliz
É uma forma de por todos ser conhecido
por alguns ser reconhecido
e de dar sentido ao que deve ser Sentido!


Fotografia: Their Masks by Nicole
(All rights reserved)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Simplesmente por mim


Há dias em que é simplesmente assim
dou por mim a sorrir de uma forma quase ingénua
de uma forma quase infantil
Como se fosse apenas natural
como se nada houvesse para o impedir
como se fosse o mais normal
Há dias em que sorrio
sorrio apenas
sem destino
sem tino
Há dias em que sorrio para mim
em que sorrio por mim
em que quase me sinto feliz.

Fotografia: With a fist and a smile by Gilad Benari
(All rights reserved)

Rotinas


Todos os dias seguem o mesmo pêndulo de rotação horária. Sigo as horas, os minutos, os segundos por meio de compassos orquestrados por um sempre presente e ciente metrónomo. As manhãs que começam sempre à mesma hora. Sempre no mesmo segundo... o imediatamente antes do despertador levar a cabo a sua função. No segundo exactamente antes de o ouvir. Levanto-me já com o peso do resto do dia nas pernas e com o cansaço da semana já impregnado.
Os passos a seguir seguem uma valsa bem demarcada. Sempre dentro de ritmo, sempre dentro do compasso, sempre dentro do tempo.
O caminho para o trabalho, os gestos efectuados, o agendar as tarefas, o organizar da agenda. Trabalho feito, trabalho arquivado. Novo trabalho e isto numa continuação que parece nunca ter fim. A hora de almoço que chega invariavelmente à mesma hora. A mesma hora praticamente para todos. E que nem rebanho bem mandado seguimos todos em direcção à manjedoura para aconchegar o estômago daquilo que já nem sabemos já saborear. Comer acaba por ser mais uma tarefa agendada e destituímos dessa refeição todo e qualquer prazer.
O fim do dia chega sem surpresas. Sem emoções. Chega porque tinha que chegar. Chega porque o sol segue o seu próprio tempo. Porque as horas sucedem-se e por muito que tentemos ir contra isso nada faz parar esse relógio universal de todos conhecido.
À noite as tarefas não mudam e parece que andamos todos às voltas sem saber muito bem o porquê.
Agora que me encontro deitado (sempre para o mesmo lado)dou por mim sem conseguir adormecer. Desta vez as horas sucedem-se mas eu estou de olhos abertos a ver isso acontecer. Os números vão-se sucedendo no visor electrónico de cores avermelhadas e nas paredes com o mesmo tom vou vendo as palavras que penso impressas numa qualquer matéria que não possui nem forma nem peso.
Amanhã um dia igual me espera.
Amanhã pode ser que adormeça pelo cansaço acumulado de uma noite mal dormida...
Amanhã pode ser que seja um novo dia.


Fotografia: The Architect by Nuclear Seasons
(All rights reserved)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ainda que Mal



"Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor."

Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco'



Fotografia: Never completely free by Rachel Lovitt
(All rights reserved)