
Cansa-me a espera dos momentos inadiáveis
a fluidez dos momentos que me fogem
Cansa-me o ter as mãos cheias de nada
e nos braços as marcas dos abraços que ainda me doem
Cansa-me a dor das alegrias passadas
e o eterno passar das marcas
Cansam-me os olhares de soslaio
e ao mesmo tempo quero-os em mim centrados
Cansa-me a vida e a morte
e o desejar a todos mais sorte
Cansam-me os cafés e as pessoas
e a repetição eterna das horas
Cansam-me os relógios e os ócios
e por vezes só me apetece mesmo fechar os olhos
Cansa-me este perpétuo cansaço
e só anseio pelo teu regaço
Anseio pela vida plenamente vivida
pela tristeza transformada em alegria
Anseio pelas paredes que caem
e por campos verdes que à minha frente se abrem
Anseio pelo respirar profundo
por sair do fundo
Anseio pelas palavras
por novas estradas
e por novos caminhos
Anseio por uma nova poesia
por uma nova escrita
por novas ideologias
Anseio por ti e por mim
por tudo o que nunca terá fim
Anseio pela ânsia de ansiar
por uma humanidade que há-de vingar
por alguém que possa compreender
Cansa-me esta ânsia que me assola
mas é este o cansaço que me consola
e por isso deixo-me ficar assim...
Fotografia: Dream about falling down by bucz
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